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Poemas
Cada poema com sua imagem e link para leitura completa.
Por, pelo menos, quatro anos
Reginaldo Andrade
(05/10/2024)
Está chegando o dia:
o dia em que você escolhe
quem você quer
para governar sua cidade,
para fazer as novas leis
pelas quais anseiam
toda a sua comunidade.
É o dia que você tem para mostrar a sua voz,
que, expressa no toque de uma tecla,
e certeira como uma flecha,
é curta, direta e veloz.
Essa voz pode definir presentes e futuros,
construir pontes ou muros,
pode traçar destinos,
salvar vidas
ou ceifá-las.
Por, pelo menos, quatro anos
Portanto, pense,
afinal, a decisão é sua.
Se você quer escolher quem, em troca do seu voto,
abasteceu seu carro ou sua moto,
te prometeu emprego ou cirurgia,
distinção ou honraria,
Saiba que a decisão é sua.
Se você escolhe
quem não honrou sua confiança,
sumiu por quatro anos e agora aparece prometendo
quatro anos de esperança,
quem foi escolhido às pressas
que não trabalhou propostas,
mas é cheio de promessas,
se você entrega seu voto em troca de um benefício imediato,
você não pensa no seu “eu” de amanhã.
Se você vota em quem só encontra motivos para reclamar,
É só isso que terá: O que reclamar
por, pelo menos, quatro anos
A decisão é sua.
Se você vota em quem tenta te ganhar
destruindo e atacando adversários,
com acusações que não se baseiam em fatos,
é isso o que você terá:
uma cidade esquecida, perdida,
entregue aos ratos
por, pelo menos, quatro anos
Portanto, pense,
reflita,
veja:
quem merece governar sua cidade,
ou participar da construção do regramento,
não pode ter dormido diante dos problemas nos últimos quatro anos.
Quem faz promessas mirabolantes,
sem o mínimo fundamento,
no fundo, está apenas te enganando
Portanto,
Se a pessoa
não se deu ao trabalho de estudar,
não se deu ao trabalho de pesquisar,
não se deu ao trabalho de analisar,
você realmente acredita que, depois de eleita,
essa pessoa irá trabalhar?
Se você escolheu alguém assim ou similar,
tudo bem, estamos numa democracia.
Mas, sinto dizer:
você perdeu o seu direito de cobrar
assim que apertou verde para “Confirmar”
por, pelo menos, quatro anos.
A escolha é sua,
a decisão é sua
por, pelo menos, quatro anos...
Mesmo que seja só do perfume
Reginaldo Andrade
(06/2025)
O tempo é como uma rosa.
Quando a temos nas mãos,
Aos espinhos é que damos
Demasiada atenção.
Mas, um dia eles ressecam
E mesmo que durem mais
Que as pétalas aveludadas,
É delas que sentiremos saudades,
É delas que trará o vento, o perfume.
É delas que,
Sem qualquer vaidade,
Sem qualquer remorso ou ciúme,
Nos lembraremos um dia.
Mesmo que seja só do perfume...
Para momentos de depressão
Reginaldo Andrade
(11/2025)
O tic-tac do relógio na sala ecoa
Para o dia e para a noite,
Para o sol e para a chuva
E, enquanto na sala ressoa,
A vida, desatenta, voa;
O tempo, veneno cujo antídoto ninguém possui,
Para todos é igual.
É para o dia como é para a noite,
Para o sol como é para a chuva
Para a mão, da mesma forma que para a luva.
Alegrias, tristezas, dores, saudades...
Eternas, jamais serão.
Elas vêm... e vão.
E por mais pesada que seja a tempestade,
Há um sol que ansiosamente espera para brilhar
Assim que ela se dissipar.
É assim com o dia e com a noite
Com o sol e com a chuva
Comigo e com você.
E é nesse desenrolar do tempo,
Quando a energia é quase exaurida,
Que, na dor, um diamante se lapida.
O nome dele?
Vida.
Para momentos de depressão
Reginaldo Andrade
(02/2026)
Quando as hienas rugem, os leões se calam.
Calam-se por medo da própria voz
que, estremecida, mia em vez de rugir.
Mas não seria o rugido a própria voz do leão?
E não seria essa voz a sua força?
Esquecera-a o leão sob os escombros da autoridade,
E lá desfez-se como o diário de bordo no navio naufragado.
E os tripulantes, não houve quem se salvasse?
Nem todos. Não havia botes para a segunda classe.
Mas, não eram os poderosos, dos tripulantes a menor parte?
Sim, mas os pobres não sabiam mais contar.
Perdemo-nos na conversa, falávamos de leões e hienas,
e agora estamos num naufrágio.
Incoerência ou mudança de arena?
Que têm os assuntos em comum?
Que coincidências fazem suas linhas do tempo se cruzarem?
Os leões, antes fortes, rugiam quando as hienas apenas riam.
Mas os pobres leões, entorpecidos pelo riso das hienas,
Começaram também a rir.
E tanto riram que se esqueceram que eram leões.
Agora os pobres leões nada mais são que leões pobres.
E os pobres que ontem não lutaram,
o fizeram pelas razões que não rugem hoje os leões.
Perderam a voz?
Não a voz, mas a fé de que, nela, um rugido sobreviva.
Como devolver então o rugido ao leão?
Não se deve esperar que uma hiena desperte um leão.
Uma hiena, ainda que ruja, será sempre uma hiena,
e um leão, ainda que ria, será sempre um leão.
Se nenhum acredita em sua identidade, o que é preciso então?
Talvez um leão que, dentre os leões, comece a rugir?
Ou uma hiena, que dentre as hienas, comece a sorrir?
Não há um só capaz de erguer em um dia
o que se levaram séculos para destruir.
Não é a audição capaz de a voz restituir
como não devolve a força, a liberdade plena.
Não há a luz onde reina a cegueira,
não há o azul onde reina o vermelho.
E a forma eficaz de se acordar um leão,
é mostrar-lhe, não a voz, mas o espelho.


